A pedido de Rogério da Padaria, Legislativo reúne IDGT e Prefeitura para discutir transição na área de saúde

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Após o Instituto de Desenvolvimento de Gestão, Tecnologia e Pesquisa em Saúde e Assistência Social (IDGT) anunciar desinteresse em continuar a prestar serviços em Arujá, o vereador Rogério Gonçalves Pereira (PSD), o Rogério da Padaria, convocou uma reunião na Câmara Municipal para discutir o processo de transição, especialmente, no que diz respeito ao risco da falta de médicos. Atualmente, a IDGT administra a Maternidade Municipal Dalila Ferreira Barbosa e os Pronto Atendimentos do Centro e do Parque Rodrigo Barreto.

Vereadores cobram da IDGT e da Prefeitura “transição sem crise”

Rogério relembra que quando da substituição do Instituto Inovação em Gestão Pública, que até então administrava as unidades hoje geridas pela IDGT, em outubro de 2018, o PA chegou a ser fechado, provocando colapso no atendimento.   

“Vamos acompanhar todo o processo a fim de evitar que a saúde entre novamente em crise por conta da troca de empresa e os funcionários sejam também prejudicados pela falta de pagamento de seus salários”, afirmou Rogério da Padaria.

A pedido da secretária de Saúde, Carmem de Araújo Pellegrino, a IDGT ficará na cidade até que o processo de chamamento público, aberto pela Prefeitura de Arujá para contratação de nova OS, seja concluído. “Estamos sendo bastante criteriosos, mas uma licitação é passível de recurso”, ponderou a gestora. Segundo ela, o novo edital foi ajustado para atender a demanda atualizada de atendimentos, procedimentos e materiais. “Temos 31% de pacientes de outros municípios”, contou.

Da esq. para direita: Carmem Pellegrino, secretária de Saúde; Márcia Albuquerque, diretora administrativa da IDGT; o advogado Raul Saraiva Pereira e o vereador Paulinho Maiolino (PSB)

“O que não queremos é que a Prefeitura mantenha a empresa atuando à base de contratos emergenciais”, alertou Rogério.

Diretora administrativa da IDGT, Sônia Márcia de Almeida Albuquerque disse que, devido ao aumento substancial de custos, o contrato tornou-se “inexequível”. “Solicitamos realinhamento de preço para garantir o equilíbrio financeiro da empresa. Não sendo isso possível, não teremos condições de continuar. Tínhamos uma previsão de 30 partos/mês, mas a média mensal está atingindo 80”, exemplificou.

Apesar das dificuldades financeiras, Márcia garantiu que fará uma “transição adequada” e todos os dados ficarão à disposição da Prefeitura e da nova contratada. “A IDGT tem o compromisso de zelar pelas unidades e pelos funcionários”, afirmou ao pontuar que os trabalhadores estão cientes da situação.

Médicos

Os vereadores também aproveitaram a reunião para questionar os representantes da IDGT e da Prefeitura sobre a ausência de médicos nas unidades e as recorrentes faltas e atrasos durante os plantões.

Vereadores estão preocupados com saída da IDGT

“Posso garantir que há monitoramento constante e registro dos horários de entrada e saída dos profissionais. Se há atraso sem justificativa, os médicos recebem advertência e têm o valor descontado em seus vencimentos”, disse a diretora administrativa Márcia Albuquerque. “A IDGT faz um trabalho sério e não houve sequer um dia, apesar dos problemas, em que o Pronto Atendimento ficasse em médico”, salientou.

Rogério da Padaria ainda questionou a IDGT sobre um suposto caso de embriaguez de um médico da rede municipal. A denúncia foi feita por usuários. O vereador cobrou providências.

“O caso foi mandato para o Conselho de Ética Médica”, disse Márcia. Carmem destacou que “todas as providências foram tomadas, inclusive, foi feito um relatório pela Comissão”. O documento, no entanto, não foi anexado à resposta dada ao requerimento elaborado por Rogério da Padaria. “Foi uma falha”, admitiu a gestora. Por fim, Martino informou que o médico foi demitido. “Não conseguimos provar o caso de embriaguez, mas ele já não faz mais parte do quadro por ter destratado um munícipe”, registrou.

CRM

Maternidade Municipal é gerida por organização social

Edimar do Rosário (Republicanos), o Pastor Edimar de Jesus, disse que, apesar do bom trabalho executado pela IDGT e pela secretaria ainda há muitos problemas em relação aos médicos. “Eu presenciei atrasos nos plantões e até um parente meu sofreu com indicação de um remédio errado”, contou. O vereador também disse que, a partir de uma solicitação via requerimento, em que solicitou o CRM de todos os médicos, identificou que a foto de um deles não correspondia ao registro.

Martino que a gestão aproveitou o questionamento do Pastor Edimar para checar todos os registros. “O CRM não obriga a inclusão da foto. Porém, o mais importante é que nenhum profissional estava com seu registro inativo, ou seja, impedido de exercer a função”, disse ao complementar que falta pouco para a Prefeitura se livrara de maus profissionais que se candidatam a trabalhar no Município. “De alguns médicos, não aceitamos nem o currículo”.

Em dia

Ao responder ao vereador Abel Franco Larini (PL), o Abelzinho, sobre a pontualidade nos pagamentos feitos pela Prefeitura, Márcia Albuquerque elogiou a gestão e descartou esta situação como motivo para a saída da IDGT. “Tenho 13 anos de experiência e a Prefeitura de Arujá está de parabéns”, reconheceu.

CROSS

Pastor Edimar de Jesus (camisa amarela) disse ter presenciado atraso de médicos nos plantões

O vereador Paulo Henrique Maiolino (PSB), o Paulinho Maiolino, registrou seu descontentamento com a Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (CROSS) e o fato de Arujá ter o PA Central cadastrado como hospital o que, segundo ele, dificulta a liberação de vagas para a cidade. O CROOS é um serviço do governo estadual, que visa atender demandas de Saúde não suportadas pela rede municipal como internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

“O CROSS é o nosso grande problema. Mas também é preciso que Arujá atualize os dados no sistema, pois o governo acredita que temos um hospital aqui”, indignou-se.

A secretária admitiu o problema, assim como a diretora administrativa da IDGT, e garantiu que 70% do processo de alteração cadastral foi concluído. A situação já havia sido abordada por munícipe durante fala na Tribuna Livre da Casa Legislativa. Clique aqui

Ao final da reunião, Rogério avaliou como positivo o debate. “Fiquei bastante satisfeito com as informações prestadas pela empresa”, finalizou.

Também participaram do encontro, realizado em 12/9, os vereadores Cristiane Araújo Pedro (PSD), a Profª Cris do Barreto; Renato Bispo Caroba (PT); Edvaldo de Oliveira Paula (PSC), o Castelo Alemão, e a assessoria parlamentar do vereador Luiz Fernando Alves de Almeida (PSDB).

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Publicado em 20/9/2019

Texto: Silmara Helena

Fotos: Imprensa/CMA