Audiência com secretário de Saúde decepciona vereadores

07mar
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O médico Messias Covre abriu na última segunda-feira (5/3) a primeira da série de quatro audiências públicas convocadas pelo Legislativo para que os secretários municipais apresentem o plano de trabalho de suas pastas para 2018.

Covre permaneceu por pouco mais de uma hora na Câmara Municipal, explanou sobre as metas da Saúde e foi indagado e confrontado por munícipes e vereadores sobre várias demandas e necessidades do setor. No entanto, seu posicionamento, muitas vezes considerado evasivo, e a resistência em divulgar prazos para execução das ações geraram críticas.

Secretário descartou instalação de UTI na Maternidade

“As respostas são inconclusivas e eu não saio daqui contemplado”, afirmou Rafael Santos Laranjeira (PSB), o Rafael Laranjeira, ao indagá-lo sobre as dificuldades enfrentadas pelo arujaenses em relação ao transporte ambulatorial. Covre afirmou que a Secretaria está em fase de levantamento de dados para abertura do processo licitatório e que uma das metas é ampliar o acesso da população ao serviço.

“Tenha foco, secretário. Seja direto. O que o povo quer é a verdade”, apelou Edimar do Rosário (PRB), o Pastor Edimar de Jesus. O parlamentar levou à Tribuna um caso de suposto erro de diagnóstico que quase custou a vida de uma paciente.

“Não estamos sendo contemplados”, reafirmou Rogério Gonçalves Pereira (PSD), o Rogério da Padaria, ao comentar sobre a situação do transporte ambulatorial. “A saúde não tem indicadores e nem qual a demanda negativa, ou seja, quantas pessoas de fato ficam sem o serviço na cidade”, criticou o parlamentar que conduziu a audiência como presidente da Comissão Permanente de Educação, Saúde e Assistência Social.

Vereador se disse espantado com declaração do sobre UTI

Nem mesmo o anúncio da liberação de R$ 35 milhões pelo Ministério da Saúde para construção do Hospital Geral de Arujá amenizou o clima. A verba ainda será enviada pelo governo federal ao município. “Vai criar novamente expectativa sobre o hospital e não consegue fazer funcionar nem a UPA do Barreto?”, questionou Renato Bispo Caroba (PT).

Laranjeira criticou transporte ambulatorial e afirmou que saiu da audiência sem ser contemplado

Sebastião Vieira de Lira (PSDC), o Paraíba Car,  adotou a mesma linha. “Como teremos capacidade financeira para arcar com as despesas de um hospital? Qual será a contrapartida do município?”, pontuou.

Covre garantiu que há recursos para gestão do hospital. “Hoje a Prefeitura já arca com R$ 2,3 milhões só para custear o Pronto Atendimento e a Maternidade. O hospital custará cerca de R$ 3 milhões. Temos condições de manter sim”, afirmou ao expor, novamente, suas restrições em relação à UPA. “O Hospital e o Centro de Especialidades são mais importantes do que a UPA. A UPA precisa de reforma e ainda não foi entregue”, explicou.

Paraíba pede para que secretário explique melhor o motivo de não instalação de UTI

A informação foi contestada por Rogério da Padaria. “Tem que lutar pelo hospital, mas é preciso colocar a UPA para funcionar. A unidade está pronta. O recebimento é obrigatório pela Secretaria. E não adianta passar mel na boca da população com esta história de hospital. Não caiam em promessas”, alertou.

O secretário reafirmou: “A UPA precisa de reformas. Até onde sei estavam fazendo os trâmites para liberação do Corpo de Bombeiros. Se a construção já foi entregue pela construtora, eu não recebi. Aí tem de cobrar a Secretaria de Obras”.

Luiz Fernando cobra investigação

Os ânimos também se acirraram quando o assunto foi a instalação da UTI Neonatal na Maternidade Municipal Dalila Ferreira Barbosa. Para o secretário, o serviço é desnecessário. “A maternidade é destinada a partos de baixo risco. Não é para parturientes de alto risco. Estudos realizados em 2016 pela administração descartam essa necessidade”, afirmou.

“Sinceramente estou espantado. Não quero duvidar de sua qualidade técnica, mas quem está errado: o prefeito que prometeu a UTI em 90 dias ou o senhor? ”, provocou Renato Caroba. Segundo ele, a instalação da UTI Neonatal foi uma promessa de campanha. “Não posso ouvir que não teremos mais”, indignou-se. O petista foi um dos que insistiram na definição de prazo para as ações. “Queremos saber quando secretário”.

Robson relatou os problemas que resultaram na morte de sua filha

Populares também cobraram a instalação da UTI e ações mais rápidas para resolver os problemas da saúde. “Vocês falaram que em 90 dias haveria solução. E a situação só piora”, afirmou Alex Sandro Elesbão, do Parque Rodrigo Barreto ao também relatar falhas no atendimento prestado no Pronto Atendimento do Centro. Robson Alves do Santos, morador do Mirante, exigiu providências na apuração da morte de sua filha. Segundo ele, teria havido negligência médica. “Há 30 dias perdi minha filha.O bebê ficou cinco dias morto na barriga de minha mulher. Estava tudo pronto para recebê-la”, contou.

Aos relatos, Covre afirmou “não ter condições de cuidar da qualidade médica existente aqui”. “A gente procura acompanhar os casos de forma técnica. Pode ter havido erro de diagnóstico. No caso da Maternidade agora temos um ultrassonografista lá, mas problemas acontecem”.

Edimar cobrou mais objetividade do secretário

Luiz Fernando Alves de Almeida (PSDB), o Luiz Fernando, pediu esclarecimento ao secretário sobre as medidas tomadas em caso de suspeita de erro médico. “Não tenho competência técnica para avaliar se houve erro médico. Mas, se paira a dúvida ela deve ser muito bem investigada. Falam deste atendimento humanizado. Porém, não tem nada de humanizado. Qual o procedimento nestes casos?”.

O secretário informou que toda morte materno-infantil é estudada pelo Comitê de Mortalidade Materno-Infantil do Município,  responsável por verificar se o óbito era evitável ou não. “Não conheço tecnicamente o caso, entretanto vou verificar se passou pelo Comitê”.

Covre ainda listou como prioridades da Saúde a instalação do Centro de Especialidades, a abertura da UBS da Vila Pilar, a ampliação do serviço de transporte escolar, a reestruturação do canil, a implementação de um Centro de Atendimento à Mulher, onde atualmente funciona o Pronto-Atendimento do Barreto, e a manutenção de todos os programas e serviços com pessoal adequado.

Participaram da audiência, além dos vereadores já citados, os parlamentares Edvaldo de Oliveira Paula (PSC), o Castelo Alemão, Ana Cristina Poli (PR), a Ana Poli, Abel Franco Larini (PR), o Abelzinho, presidente da Casa, e Marcelo José de Oliveira (PRB), o Dr. Marcelo Oliveira, vice-Presidente do Legislativo

 

Acesse a íntegra da audiência no You Tube:

 

 

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Publicado em 07/03/2018

Fotos: Imprensa/CMA