Candidatos ao Conselho Tutelar depõem à CEI e revelam detalhes do processo eleitoral

28jan
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Sete candidatos ao Conselho Tutelar de Arujá prestaram depoimento à Comissão Especial de Inquérito (CEI), no último dia 23/1, e revelaram detalhes do processo eleitoral, realizado em 2019 sob a coordenação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) para escolha dos novos conselheiros.

Paraíba Car (ao centro), Castelo Alemão e Pastor Edimar (à direita) durante oitiva

Nesta data, foram ouvidas dez das 20 pessoas convocadas pela Comissão. Duas delas integravam a Comissão Eleitoral: o professor Airton Santos e a cabo Kátia Moura. O outro depoente foi o diretor geral da Prefeitura e secretário de Cultura, Joncy Silva, esposo de uma das postulantes ao cargo (Veja matérias abaixo). Os demais eram candidatos a uma das vagas no Conselho Tutelar.

Aline Coutinho Temer, Cássia Domingos de Souza, Edina Regina Gonçalves Putini, Ione Zago Bueno Del Vale, Luiz Gonzaga do Nascimento Neto, Silandra Maria da Silva e Solange Camacho Rodrigues Peres foram convocadas, porém, não compareceram. Elas serão novamente intimadas a depor pela Comissão.

Presidente da CEI, o vereador Sebastião Vieira de Lira (DC), o Paraíba Car, afirmou que o conteúdo dos depoimentos reforça os indícios de que o processo eleitoral pode ter sido maculado por conta da conduta da presidente do CMDCA.  “Ainda estamos em uma fase de apuração e, portanto, não podemos antecipar nossas conclusões. Mas, os depoimentos apontaram muitas falhas, para dizer o mínimo, na condução da eleição”, pontuou.

Dias depois desta oitiva, Paraíba Car (DC) pediu afastamento da advogada Maria da Conceição Melo Veras Galbeti da presidência do CMDCA.  

Confira o resumo dos depoimentos:

Luiz Pompeu disse que estranhou amizade de candidatos com Comissão Eleitoral

Luiz Henrique Messias Pompeu, bacharel em Direito: primeiro a ser ouvido, Luiz fez as duas provas para habilitar-se como candidato a uma vaga no Conselho Tutelar. Em sua fala, expressou sua estranheza com a proximidade existente entre candidatos e membros da Comissão Eleitoral e admitiu ter ficado incomodado com o resultado da prova. Ele também criticou a falta de critérios para a correção. “Em um momento a Dra. Conceição deu a entender que fui sucinto. Na segunda vez que fiz a avaliação, só faltei mandar a criança para o Papa e ainda assim não fui aprovado”, declarou.

Ailton Antônio Lopes: foi desclassificado por ter faltado no curso preparatório e, por isso, não chegou a fazer as avaliações. Até o momento em que participou, não percebeu qualquer ilegalidade. “Edital foi bem feito e bem elaborado, com informações suficientes. Não vi nada que desabonasse o certame”, afirmou.

Pedro Bento ficou surpreso com nota da prova

Pedro Bento da Silva: fez várias críticas ao processo, inclusive, ao curso que, segundo ele, “deixou a desejar”. “Dra. Conceição (presidente do CMDCA) não tinha metodologia e nem didática. Ela tumultuava e humilhava as pessoas que discordavam dela”. Apesar de não ter impetrado recurso, Pedro admitiu não ter concordado com a nota da prova dissertativa. “Tive nota bem aquém das minhas competências”, resumiu ao complementar que pelas redes sociais percebia uma relação de intimidade entre os membros da Comissão e alguns candidatos. “É complicado falar”.

Ulisses Rogenda de Melo Pedroso, coordenador do projeto musical da ONG Viva Arujá: teve problemas no curso preparatório e se afastou. Não explicou o motivo da desistência, no entanto, confirmou que esteve na escola no dia da apuração e presenciou algumas pessoas dizendo que pediriam impugnação.

Em depoimento, Erilyn Louback afirmou não ter tido acesso ao espelho da prova

Erilyn Viviene dos Santos Louback, advogada. Indicou problemas no edital, entre os quais, a exigência de 80% de acerto na prova. “Além disso, não detalhava número de questões e quantas seriam alternativas e quantas dissertativas”, explicou. Ela disse que Dra. Conceição e Dra. Elaine teriam dado o curso, aplicado e corrigido as provas. No depoimento admitiu que, apesar de não concordar com a realização da segunda prova, não entrou com recurso. Erilyn também não recebeu o espelho da prova. A advogada integrava grupo de WhatsApp dos candidatos. As conversas foram solicitadas para integrar processo da CEI.

Osana Ramos descartou favorecimento e não viu qualquer problema durante o processo

Osania Ramos Correia, advogada. Não viu qualquer problema durante o processo e teve acesso às provas. “Entendi que ninguém sabia de nada”, afirmou ao descartar suposto favorecimento.

Alex Sandro dos Santos Elesbão, motorista de aplicativo. Defendeu a lisura do processo afirmando que todos concordaram em fazer a segunda prova. Segundo ele, o espelho da prova estava disponível na sede do CMDCA para quem se interessasse. Teve a candidatura questionada, devido à foto publicada com um pré-candidato a prefeito nas redes sociais, mas foi absolvido. “Foi um amigo que postou e me retratei no prazo de 24 horas”.

Alex Sandro sofreu pedido de impugnação de candidatura e reverteu; ele defendeu lisura do processo

Alex Elesbão foi o único a complementar o seu depoimento no dia 23/1 para afirmar que recontagem dos votos no dia da eleição foi “erro humano”. Conforme explicou, a Comissão não havia computado nomes de eleitores inseridos no caderno de votação. Ele é atual suplente no Conselho.

Oitivas

A CEI retomará as oitivas na próxima sexta-feira (31/1), às 14h, no Plenário da Câmara de Arujá. A Comissão é presidida pelo vereador Paraíba Car, tendo como vice-presidente Marcelo José de Oliveira (Republicanos), o Dr. Marcelo; Edimar do Rosário (Republicanos), o Pastor Edimar de Jesus, como relator e os vereadores Edvaldo de Oliveira Paula (PSC), o Castelo Alemão, e Rafael Santos Laranjeira (PSB), como membros.

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Veja íntegra dos depoimentos no canal oficial no YouTube

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Texto: Silmara Helena

Fotos: Imprensa/CMA