CEI das Ambulâncias: depoimento de funcionários confirmam infraestrutura insuficiente

Os depoimentos da diretora de Departamento Carmen Araújo Pellegrino e do encarregado pelo setor de transporte ambulatorial Bruno Fernandes Lima, da Prefeitura de Arujá, confirmam a insuficiência de veículos e de pessoal para atender a demanda do município. Os dois funcionários falaram à Comissão Especial de Inquérito (CEI) das Ambulâncias na última quinta-feira (10/5). A CEI foi aberta para investigar possíveis irregularidades na prestação do serviço e na conduta de funcionários diante da fiscalização feita pelo Legislativo.

(da esquerda para a direita): Laranjeira, Rogério da Padaria e Luiz Fernando durante audiência da CEI. Foto: Imprensa/CMA

“Há necessidade de aquisição de veículos e de contratação de pessoal”, reconheceu Bruno ao ser indagado pelo vereador Luiz Fernando Alves de Almeida (PSDB), o Luiz Fernando, se a estrutura disponível estava dando conta dos atendimentos. Segundo o encarregado, atualmente a Prefeitura possui 12 motoristas, que trabalham em sistema de turno – das 8h às 17h; das 4h às 13h e das 13h às 22h, além de oito carros em funcionamento.

Além da ampliação do serviço, há necessidade, conforme esclareceu Bruno, de renovação dos veículos. “Temos quatro carros quebrados”, afirmou. A frota da Secretaria de Saúde é composta por dois veículos do tipo Gol, duas vans de 16 lugares, 1 veículo tipo Kombi, duas ambulâncias pequenas e uma ambulância grande. Diariamente, são transportadas 61 pessoas. No primeiro trimestre de 2018, foram 2.817 pacientes. Com acompanhante, o número subiu para 4.575.

Sobre as constantes reclamações de atrasos e de pacientes “esquecidos” em unidades de saúde de outros municípios, Bruno explicou que todos são orientados a após às 20h ligar para a empresa Equilíbrio – prestadora de serviço de ambulância para o município – solicitando o retorno. “Temos controle das pessoas transportadas. Pode haver demora, mas todos são trazidos de volta à cidade”, garantiu.

Bruno Lima presta depoimento à CEI e pede desculpas. Foto: Imprensa/CMA

Para o vereador Rafael Santos Laranjeira (PSB), o Rafael Laranjeira, é necessário organizar melhor a demanda. “Temos de diferenciar os pacientes crônicos dos demais”, sugeriu.

Luiz Fernando reforçou seu posicionamento em relação à ideia do atendimento humanizado. “Fala-se muito, mas não existe”, salientou.

A diretora de Departamento Carmen Pellegrino disse que a Secretaria de Saúde busca alternativas das mais diversas para atender as solicitações, principalmente quando percebe que a situação é crítica. “Retiramos carro de outro setor, alteramos horário de pessoal, fazemos remanejamento”, exemplificou. Ela disse que dos sete carros quebrados, cinco são do setor de transporte ambulatorial. O número é diferente do informado pelo encarregado do setor Bruno Lima e a divergência foi identificada pela CEI, que pretende apurar com mais precisão o dado.

De acordo com Carmem, um processo licitatório está em andamento para aquisição de uma ambulância no valor de R$ 120 mil. O recurso é proveniente de emenda parlamentar de autoria do deputado federal Carlos Zarattini b(PT). Outros dois veículos também já foram solicitados ao Ministério da Saúde.

Uma solução definitiva para a questão do transporte, na avaliação de Carmen, é a ampliação do Centro de Especialidades. Projeto enviado pelo Executivo à Câmara prevê a contratação de especialistas nas áreas de cardiologia, cirurgia vascular, reumatologia, oftalmologia, psiquiatria, neurologia e otorrinolaringologista. Parte considerável dos pedidos para transporte de pacientes é destinada à realização de consultas em unidades de referência em Mogi das Cruzes e São Paulo, principalmente.

Desculpas

Carmem Pellegrino diz que solução para transporte ambulatorial é ampliar número de especialistas. Foto: Imprensa/CMA

O vereador Rogério Gonçalves Pereira (PSD), o Rogério da Padaria, ressaltou que o encarregado Bruno Lima atrapalhou a vistoria realizada pelos parlamentares no dia 31/01 para apurar possíveis irregularidades no serviço, negando acesso a documentos com informações sobre o serviço. Questionado pelo presidente da CEI sobre seu comportamento diante da comitiva, o funcionário pediu desculpas.

Na ocasião, ele justificou que havia recebido ordens superiores. Porém, em depoimento à CEI, Bruno negou qualquer orientação desta gestão neste sentido. “Quero pedir desculpas, pois essa informação era da administração passada. Inclusive fui advertido pela Carmen”, destacou.

A diretora confirmou a advertência verbal e disse que o encarregado assinou documento assumindo a responsabilidade pela atitude. “Nunca houve, por parte da Secretaria, orientação neste sentido. Às vezes, os funcionários ficam temerosos e necessitam da autorização do superior para tudo”, ponderou Carmem ao dizer que ficou indignada com o envolvimento de seu nome no imbróglio. O problema entre os vereadores e o funcionário foi um dos fatores geradores da CEI.

Rogério da Padaria reforçou o direito do vereador de fiscalizar e questionou a falta de providências da Secretaria em relação à conduta do funcionário. “Nos sentimos desrespeitados. O fato é que, mesmo com a retratação, ele atrapalhou a fiscalização”.

O parlamentar perguntou o motivo de a Secretaria não ter aberto sindicância. “Isso depende do gestor”, disse Carmem. Além de Bruno e Carmem, também foram ouvidos pela CEI o representante da empresa Equilíbrio, Jefferson da Costa Rato, e o secretário de Saúde, Messias Covre.

A vereadora Cristiane Araújo Pedro (PSD), a Profª Cris do Barreto, acompanhou as oitivas.

 

 

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Publicado em 15/05/2018

Texto: Silmara Helena

Fotos: Imprensa/CMA