Fórum de Resíduos Sólidos traz experiência positivas e pontua desafios

26nov
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O Fórum de Gestão de Resíduos, organizado pela Câmara Municipal em parceria com a Prefeitura de Arujá, trouxe importantes contribuições para a implementação de políticas de reaproveitamento e reciclagem de resíduos, mas deixou claro as dificuldades para sua efetiva execução.

O evento, realizado no último dia 23/11 no Plenário Vereador João Godoy, sede do Legislativo, reuniu autoridades, especialistas, trabalhadores e representantes de empresas e de organizações da sociedade civil. Foram debatidos assuntos como reciclagem de EPS (isopor), o impacto da coleta seletiva em Arujá, Logística Reversa e a destinação dos Resíduos da Construção Civil (RCC).

Prefeito expõe efeitos nocivos do consumismo desenfreado ao Meio Ambiente. Foto: Imprensa/CMA

Com discurso crítico, o prefeito José Luiz Monteiro (MDB) chamou a atenção da sociedade para o consumismo desenfreado e conclamou a população à responsabilidade. “Vivemos um período em que algo é moderno por 15 minutos e depois se torna descartável. Qual o destino do tênis velho, da camisa velha? Não é lixo produzido pelo meu vizinho ou na minha rua. Precisamos ter uma visão global da vida. Fazemos parte de um planeta que nos deu tudo até hoje. E com que carinho retribuímos essa Mãe Terra? A tomada de consciência talvez seja o que de mais importante poderemos ter”, pontuou.

A importância da participação da comunidade na discussão das políticas ambientais foi ressaltada pela vereadora Ana Cristina Poli (PR), na abertura do evento. “Nosso objetivo é coletar subsídios e ouvir a comunidade, fazendo um trabalho participativo”. Ela referia-se à contribuição que pode ser dada pelo Legislativo e pela sociedade à elaboração do Plano Municipal Integrado de Gestão de Resíduos. O trabalho está sendo conduzido pela Prefeitura de Arujá e foi apresentado em audiência pública realizada no mesmo dia.

Ana Poli foi idealizadora do Fórum. Ela presidiu as atividades. Foto: Imprensa/CMA

Sociedade 

Fundador da ONG Salvar e presidente do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema), Oswaldo Coutinho Junior, confirmou os desafios impostos àqueles que se dispõe a defender a preservação dos recursos naturais. “Nada é fácil em relação ao Meio Ambiente. Se não fizermos ações e manifestações, nada anda”, reconheceu.

A presidente da Cooperativa de Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Arujá (Cora) Bruna Cavalcante trouxe ao Fórum um pouco da história e das dificuldades dos trabalhadores. A cooperativa começou em 2004 no bairro Jordanópolis com cinco catadores. Hoje, conta com 20 cooperados e integra a Rede CataSampa e o Movimento Nacional dos Catadores.

A Cooperativa recolhe todos os tipos de material e atua em todas as etapas de reciclagem de resíduos: separação, coleta e transporte, triagem, pesagem, prensagem, estoque e comercialização. “Infelizmente, a gente passa por dificuldades, mas são dez anos de luta, vivendo o preconceito de ser catadora”, afirmou Bruna.

Ainda assim, de janeiro a outubro de 2018, a Cooperativa recolheu mais de 400 toneladas de resíduos.

Vereadores também prestigiaram evento. Foto: Imprensa/CMA

Construção Civil

A advogada Silvia Brunelli relatou a experiência positiva da Associação Brasileira de Transportadores de Resíduos (ABTR) – que reúne mais de 2 mil empresas de caçambas somente na cidade de São Paulo. Para ser aceita, segundo ela, a Associação teve de “parar São Paulo”. “Causamos o maior congestionamento da história da capital”, contou. Ela explicou, no entanto, que a medida deu resultado e a Prefeitura decidiu atender a associação. “Até então todos os resíduos da construção civil eram destinados a aterros sanitários”.

A ABTR possui uma área de mais 9 mil metros cedida pela prefeitura da capital onde recebe diariamente de 100 a 200 caçambas. Um sistema informatizado denominado CTR (Controle de Transporte de Resíduos) garante o controle de tudo o que é recolhido e reciclado. Sem contar, segundo Silvia, a economia com a utilização de aterros. “Temos 38 Áreas de Triagem e Transbordo (ATT) e eliminamos mil pontos de descarte irregular de construção civil somente na região norte da Capital”, afirmou.

Silvia adiantou que está discutindo com a secretária de Meio Ambiente Ionara Fernandes a implementação do sistema de CTR em Arujá.

Logística reversa

Secretário do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura de Mogi das Cruzes, Daniel Teixeira de Lima, afirmou que a logística reversa está ligada ao desenvolvimento sustentável e a percepção do setor produtivo de que o custo da extração da matéria-prima é maior que o da reciclagem. No entanto, ainda que haja disposição e efetiva atuação da indústria, o gestor ressalta o papel da sociedade no processo. “A responsabilidade é compartilhada e o consumidor precisa refletir na hora da compra, avaliando como será possível o descarte daquela embalagem”.

Dentre os legisladores, participaram do Fórum Abel Franco Larini (PR), o Abelzinho, presidente do Legislativo; Rafael Santos Laranjeira (PSB), Edimar do Rosário (PRB), o Pastor Edimar de Jesus, Reynaldo Gregório Junior (PTB), o Reynaldinho, Marcelo José de Oliveira (PRB), o Dr.Marcelo Oliveira, e o secretário de Planejamento da Prefeitura de Arujá, Juvenal Fernandes.

 

 

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Publicado em 26/11/2018

Texto: Silmara Helena

Fotos: Imprensa/CMA