Legislativo abre espaço para debate sobre comunidades terapêuticas

29out
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Com apoio do mandato do vereador Luiz Fernando Alves de Almeida (PSDB), a Câmara Municipal de Arujá abriu espaço para organização do 1º Fórum Público de Apresentação e Discussão da Rede de Atenção Psicossocial e Comunidades Terapêuticas do Alto Tietê. O objetivo é discutir uma política regional de atendimento a dependentes químicos por meio do fortalecimento da rede, integração das secretarias de Saúde e Assistência Social dos municípios e a ampliação do diálogo e da troca de experiências entre os profissionais da área.

José Luiz durante evento de debate sobre comunidades terapêuticas

O prefeito de Arujá, José Luiz Monteiro (MDB), médico neurologista, prestigiou o evento. Ele ressaltou a importância do tema: “Quem não conhece alguém que está vivendo esta situação?”, questionou ao complementar: “A complexidade do ser humano o faz suscetível ao uso de substâncias. Temos de lutar diariamente contra essa onda negativa que traz a morte como solução final”.

Arujá é sede de uma comunidade terapêutica, coordenada pelo Instituto Bauman, também responsável pelo programa Recomeço – iniciativa do governo estadual que disponibiliza atualmente 1335 vagas para dependentes químicos em 67 instituições espalhadas pelos municípios paulistas.

“O Legislativo está preocupado com esta questão e inclusive direcionou recursos do orçamento municipal para instalação de um Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps AD) em Arujá”, pontuou Luiz Fernando.

Objetivo do evento era discutir uma política efetiva de saúde mental para a região

Secretária de Saúde de Arujá, Carmen Pellegrino, ressaltou a mudança de percepção construída nos últimos anos em relação à saúde mental. “É preciso adotar uma postura de reflexão sobre as condições psicológicas das pessoas e discutir política pública”, defendeu.

Rede

A rede atenção psicossocial do Alto Tietê é formada atualmente por 31 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), 7 Centros de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), 2 Centros de Referência para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP) e 3 Centros-Dia do Idoso, e informou o psicólogo e diretor da Diretoria Regional de Assistência e Desenvolvimento Social (Drads) José Rezende Filho – órgão do governo do Estado responsável pelo monitoramento das ações socioassistenciais em dez municípios da região. Segundo ele, há um número “respeitável” de moradores de rua e dependentes químicos nas cidades e o problema “não é exclusivo da Assistência Social”, ainda que a dependência química seja uma área de atuação da pasta.

Luiz Fernando ressaltou papel do Legislativo na destinação de recursos para instalação de um Caps-AD

A intersetorialidade do tratamento da dependência química foi um dos temas tratados no Fórum, além da configuração e do papel das comunidades terapêuticas na recuperação do indivíduo.

Mestre e Doutor em Saúde Pública, Pablo Andrés Kurlander Perrone foi um dos palestrantes no evento e destacou a mudança no conceito de saúde mental, a partir da Reforma Psiquiátrica, e como esta resultou na criação das comunidades terapêuticas. Ele é gestor geral da Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas (Febract). “A reforma psiquiátrica acabou com práticas como o eletrochoque, muito comum no modelo manicomial”, explicou ao admitir que, depois de décadas de uso de métodos considerados violentos no tratamento da dependência química, ainda há muita desconfiança e confusão sobre o trabalho das comunidades.

Eliana Borges detalhou programa Recomeço

Eliana Borges, especialista em Desenvolvimento Social e diretora da coordenadoria estadual de Políticas sobre Drogas do governo estadual esclareceu que o Programa Recomeço determina os critérios de inserção individual na comunidade terapêutica. “O usuário deve desejar ser acolhido, pois o Estado não paga por internação compulsória; ele precisa estar com quadro clínico estabilizado, passar por avaliação médica e aí ser encaminhado”, esclareceu, reforçando a necessidade de o indivíduo ser, em um primeiro momento, atendido pela rede municipal de forma multidisciplinar, envolvendo Saúde, Assistência Social e Desenvolvimento Econômico.

Pelo Programa Recomeço a pessoa pode ficar internada até seis meses, podendo esse tempo ser prorrogado por mais três. “A dependência química é prioritariamente tratada na saúde e é um trabalho de corresponsabilidade. Antes de encaminhar alguém para uma comunidade terapêutica, o município precisa ter um diagnóstico, identificar os equipamentos disponíveis e discutir sua política sobre drogas”, explicou Eliane.

Também prestigiaram o evento a secretária municipal de Assistência Social, Maria Luzia Salles Couto, a presidente do Instituto Bauman Roseli Moreira Sousa Silva; a psicóloga Patrícia Moreira dos Santos, representante técnica do Instituto Bauman, e os vereadores Cristiane Araújo Pedro (PSD), a Profª Cris do Barreto, Rafael Santos Laranjeira (PSB) e Edvaldo de Oliveira Paula (PSC), Castelo Alemão. 

Câmara Municipal de Arujá

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Publicado em 29/10/2019

Texto: Silmara Helena

Fotos: Imprensa/CMA