Menos médicos: vereadores temem impacto da saída de cubanos de programa federal em Arujá

22nov
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A Saúde de Arujá não deve passar ilesa ao desembarque de Cuba do programa federal Mais Médicos. A decisão foi motivada pelo que o governo cubano classificou como declarações “ameaçadoras e depreciativas” do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Com o rompimento, mais de oito mil médicos deverão abandonar o programa no território nacional, drama que resvala em Arujá. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o município conta atualmente com três profissionais daquele país, dos quais ao menos dois devem deixar o Brasil. Ao todo, oito médicos integravam o Programa na cidade.

Com a nova situação, alguns vereadores manifestaram preocupação de que o quadro da Saúde municipal – já abalado por diversas crises neste ano – apresente uma piora com uma eventual defasagem de médicos. Na Sessão de 14/11, o vereador Rafael dos Santos Laranjeira (PSB) repercutiu a iminente saída dos cubanos e seus reflexos.

“Com o rompimento, nosso município, que já tem dificuldades, entrará o ano com uma defasagem ainda maior”, ressaltou o vereador do PSB. Ele ainda cobrou urgência na resolução do problema. “Espero que o governo consiga, de alguma forma, trazer uma solução para que o País não seja ainda mais prejudicado”, ressaltou.

Já na Sessão de 21/11, o vereador Renato Bispo Caroba (PT) lamentou a falta de conhecimento e preconceito da população quanto ao programa. Ele salientou que o Mais Médicos não prevê apenas a vinda de profissionais estrangeiros, mas principalmente a ampliação de vagas em cursos de medicina nas universidades do Brasil e de locais de trabalho para esses profissionais, seja em hospitais, postos de saúde ou outras unidades médicas.

“Médicos brasileiros formados no Brasil têm prioridade nas contratações para atuar no programa. Num segundo momento, as vagas são reservadas para profissionais brasileiros formados no exterior e somente num terceiro momento são feitas as contratações de estrangeiros, como forma de preencher as vagas não ocupadas por brasileiros”, explicou Caroba.

O parlamentar ainda condenou a xenofobia e o preconceito dirigidos aos médicos cubanos. “É impossível mencionar esse assunto sem relembrar as reações preconceituosas e até xenofóbicas por parte dos brasileiros desde a contratação até a saída desses profissionais que vieram do Exterior para atuar nas regiões carentes de vários estados de nosso País”. Por fim, o petista ressaltou ainda que o que motivou as contratações de estrangeiros foi justamente a escassez de mão de obra médica nos rincões do País, onde os profissionais brasileiros se recusam a atuar.

Nota do Executivo

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Arujá, o município dispõe de oito profissionais pelo Programa Mais Médicos, sendo três deles cubanos. Desses três, uma das médicas deve partir para Cuba até domingo (25/11), mas já encerrou os atendimentos. A segunda profissional já estava em período de férias quando houve o comunicado e não deve retornar. Já a terceira médica decidiu ficar na cidade, porém também já encerrou os atendimentos.

Ainda segundo a nota, o pedido de substituição já foi formalizado junto ao Ministério da Saúde e, inclusive, já está previsto no novo edital de chamamento da Pasta. O impacto, ainda segundo a Secretaria Municipal, se dará no atendimento ambulatorial das unidades básicas de saúde (UBSs), “motivo pelo qual será necessária uma reorganização interna entre os profissionais da Saúde para que os pacientes não deixem de ser atendidos”, finaliza.

Homenagem ao programa

Em março de 2017, com a presença do prefeito José Luiz Monteiro (MDB), o Legislativo arujaense recebeu a visita da Cônsul Geral de Cuba em São Paulo Nelida Hernandéz Carmona, que prestigiou a Sessão Ordinária de 20/03 a convite do vereador Sebastião Vieira de Lira (PSDC), o Paraíba Car. Ela estava acompanhada do Conselheiro Político Ifrahin Miranda Leon e do Cônsul Roberto Gomez Castellanos, responsável pelo programa Mais Médicos.

Na ocasião, além do prefeito, diversos parlamentares teceram elogios ao programa, dentre eles, Edvaldo de Oliveira Paula (PSC), o Castelo Alemão.

“Muita coisa o governo anterior [Dilma] errou, mas o que o governo acertou a gente tem que aplaudir. O programa Mais Médicos foi um dos grandes acertos do governo. O que externou a todos foi que o comprometimento dos profissionais que vieram de outros países foi bem diferente daquele dos profissionais formados aqui no Brasil”, ressaltou.

“O programa mostra a sensibilidade e preocupação daquele país para com a saúde dos semelhantes”, disse Castelo. Foto: Imprensa/CMA

Castelo Alemão continuou: “A aceitação foi muito boa, as pessoas que foram atendidas pelos cubanos ficaram satisfeitas. Isso mostra a sensibilidade e preocupação daquele país para com a saúde dos semelhantes”, elogiou ainda.

Ana Cristina Poli (PR) disse: “Temos de enaltecer o que é bom. A saúde é mais do que equipamento. Saúde é feita por gente. Equipamento é importante, mas a dedicação com que é feito o trabalho é tudo. Só temos a agradecer”, disse.

Gabriel dos Santos (PSD) destacou que os “nossos médicos [brasileiros] formados nas universidades públicas não atendem nos rincões deste País. Se formam em faculdades custeadas pelos impostos de todos os brasileiros e depois não querem atender. Quero parabenizá-los pela ação humanitária e agradecer a vocês por irem, onde muitos médicos não vão”.

Reynaldo Gregório Junior (PTB), o Reynaldinho enfatizou a satisfação com o alto nível profissional dos médicos cubanos: “Estou lisonjeado e feliz por termos recebido profissionais de alta qualidade em nosso sistema e que tratam as pessoas com carinho e respeito”.

 

 

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Publicado em 22/11/2018

Texto: Renan Xavier

Fotos: Imprensa/CMA