Prefeito e vice-prefeito são ouvidos pela CEI dos contratos públicos

O
prefeito de Arujá José Luiz Monteiro (MDB) e o vice-prefeito Márcio José de
Oliveira (Republicanos), o Dr. Márcio Oliveira, participaram na manhã desta
sexta-feira (26/06) da primeira rodada de oitivas promovida pela Comissão
Especial de Inquérito (CEI) que apura possíveis irregularidades em contratos
públicos e processos licitatórios da Prefeitura de Arujá.

A sabatina foi conduzida pelo presidente da CEI, Rogério Gonçalves Pereira (PDT), o Rogério da Padaria, que permitiu aos demais vereadores presentes que também formulassem questionamentos. Todo o evento foi transmitido ao vivo pelo canal da Câmara Municipal de Arujá no YouTube (acesse o vídeo aqui).

Além
do presidente da CEI, participaram da sabatina o relator Rafael Santos
Laranjeira (Rede), a vice-presidente Cristiane Araújo Pedro (PSD), a Profª Cris
do Barreto, e os vereadores Ana Poli (PL), Renato Bispo Caroba (PT), Edvaldo de
Oliveira Paula (PTB), o Castelo Alemão, Julio Taikan Yokoyama (PSDB), o Julio
do Kaikan e Abel Franco Larini (PL), o Abelzinho.

Com a palavra, o prefeito

Acompanhado
de um advogado com procuração para auxiliá-lo nas respostas, Monteiro foi o
primeiro a ser ouvido. Questionado, negou ter participado de quaisquer
processos licitatórios. Negou ainda que tenha promovido mudanças na composição
da Copel em sua gestão, ou de ter qualquer relacionamento com empresários
interessados em prestar serviços no município.

“Um
dos espaços da prefeitura que eu menos entrei foi justamente na Copel. E mesmo
na minha sala nunca opinei sobre licitações”, afirmou o prefeito.

Com relação ao ex-secretário Carlos Roberto Vissechi, preso no início deste mês no âmbito da investigação Soldi Sporchi, da Polícia Civil de Guarulhos, o prefeito confirmou que partiu dele próprio a indicação, avaliação e nomeação à Secretaria Municipal de Assuntos Jurídicos.

Ao
ser interpelado se tinha conhecimento de interferência ou participação de
quadros de seu governo em processos licitatórios, o prefeito disse desconhecer
qualquer fato neste sentido. “Todos os funcionários da Prefeitura de Arujá
estão proibidos de participar de qualquer acordo prévio à licitação”, disse o
prefeito em resposta a questionamentos sobre o diretor geral Joncy José da
Silva Filho, o secretário adjunto de Serviços, Edson Nasser, ou do próprio
vice-prefeito Dr. Márcio Oliveira.

Em
diversas ocasiões em que foi questionado sobre contratos emergenciais ou
medidas administrativas do governo, sob orientação do advogado Matheus Valério,
Monteiro optou por responder posteriormente, por escrito, uma vez que a própria
prefeitura não dispõe dos documentos relativos aos contratos, muitos dos quais
apreendidos pela Polícia Civil.

O
prefeito negou que a polícia tenha apreendido documentos em seu gabinete e
descartou, ao menos por enquanto, afastar membros do governo citados nas
matérias jornalísticas sobre a investigação policial.

Com a palavra, o vice-prefeito

Após
o prefeito ser ouvido, foi a vez do vice Dr. Márcio Oliveira responder
bateria de questionamentos. Parte deles giraram em torno de um trecho
supostamente vazado do inquérito que deflagrou a operação policial. No documento,
há um print de conversa por aplicativo no qual um dos presos na operação cobra
um cheque do vice-prefeito.

Oliveira
confirmou a veracidade do cheque, que, segundo ele, tratava-se de um pagamento
por um serviço que lhe fora prestado pelo suspeito. Interpelado por Caroba
sobre qual serviço foi esse, o vice-prefeito disse que apresentaria sua versão
dos fatos às autoridades policiais, se requerido.

“O
que houve foi uma prestação de serviço, o cheque voltou. Estou muito tranquilo
para que em qualquer esfera possa prestar esclarecimentos”, declarou.

Oliveira
chegou a ser prefeito interino por um curto período. Antes, também foi titular
da Secretaria Municipal de Educação. Enfatizou ter tido as contas aprovadas
tanto pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) quanto pela Câmara. “Nos 15
dias que fui prefeito interino, não assinei nenhum contrato administrativo nem
participei de processos licitatórios”, acrescentou.

Questionado se teria aprovado a nomeação de Vissechi à pasta, Márcio respondeu: “Pelo contrário, orientei o prefeito a não contratá-lo. Acreditava que seria melhor um quadro técnico com muita experiência na área, um advogado com especialidade em direito administrativo, e não um criminalista como Vissechi”, declarou.

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Texto: Renan Xavier

Fotos: Imprensa/CMA