Sabatina com Secretária de Saúde traz à tona problemas recorrentes do setor

30mar
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A convocação da secretária de Saúde Carmem Pellegrino à Câmara Municipal de Arujá no último dia 13/3 fez retornar ao debate público problemas recorrentes identificados na rede pública de saúde do Município. A demora no agendamento de consultas, a falta de médicos nas unidades, dificuldades na dispensação de medicamentos, além de reclamações sobre horário restrito para vacinação foram alguns dos assuntos questionados pelos vereadores durante a sabatina.

Cris do Barreto (PSD) questionou secretária sobre sistema de atendimento na UBS do Parque Rodrigo Barreto

A vereadora Cristiane Araújo Pedro (PSD), a Profa. Cris do Barreto, pediu esclarecimentos à gestora sobre  a organização do atendimento médico no Parque Rodrigo Barreto; a contratação de farmacêuticos e o horário reduzido para aplicação de vacinas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). “Uma mãe pediu dispensa do trabalho para vacinar o filho, chegou à UBS às 15h30 e não conseguiu atendimento. Gostaria de saber se, neste caso, ela poderia vir até a unidade do centro”, perguntou.

Rogério, indignado: “Se respondeu várias vezes é porque o problema não foi resolvido”

Carmem disse que já solicitou ao setor de Vigilância Epidemiológica que “otimize o tempo dos profissionais nas unidades” para que o serviço de vacinação seja prestado até o final do expediente – às 17h. Como a reclamação é frequente, o vereador Rogério Gonçalves Pereira (PSD), o Rogério da Padaria, retomou o assunto, ao final da convocação, e se mostrou indignado com a resposta da secretária. “Já respondemos isso várias vezes e vou repetir o que já foi dito: existe a necessidade de higienização da geladeira, controle da temperatura das vacinas. Não sou enfermeira, mas como gestora pedi para que se otimize esse tempo”. Diante dessa afirmação, Rogério desabafou: “Se essa resposta já foi dada várias vezes, é porque o problema não foi resolvido. Então quer dizer que para o atendimento para limpar geladeira? Ao que parece há um menosprezo pela situação. Por que não se estende o horário do auxiliar de enfermagem para que isso seja resolvido? Eu, Rogério, não consigo resolver, mas a senhora como secretária, precisa resolver”, argumentou. A secretária repetiu que tomará as providências.

Laranjeira sugeriu centralização da distribuição de remédio combinada à entregada em domicílio e terceirização dos técnicos de farmácia nas unidades básicas de saúde

Sobre a logística de atendimento médico no Barreto, Carmem explicou que o procedimento obedece à divisão do bairro em microrregiões, conforme determina a Estratégia Saúde da Família (ESF) e que há projetos para ampliação da cobertura. “Há médicos específicos na unidade para atender quem não está incluído no programa”, explicou.

Farmacêuticos

Além da Profa. Cris do Barreto, os vereadores Rafael Santos Laranjeira (PSB) e Renato Bispo Caroba (PT) também abordaram a questão envolvendo a atuação dos técnicos de farmácia da Prefeitura. A celeuma se arrasta desde a gestão do médico Messias Covre, citado durante a sabatina. Isso porque, devido à limitação de carga horária determinada por legislação federal e o número insuficiente de servidores, as farmácias funcionam em horário reduzido e, muitas vezes, em sistema de rodízio. A medida impacta diretamente o usuário que precisa de remédio após passar por uma consulta.

Caroba disse que versão de governo publicada em revista sobre ortopedistas não condiz com a realidade

“Tivemos mais dificuldade recentemente porque um de nossos profissionais tirou licença. Além disso, o último concurso expirou e não conseguimos viabilizar a contratação. Pretendemos incluir a função em um próximo concurso”, garantiu Carmem ao confirmar a Caroba que, ainda assim, houve ampliação do quadro funcional. “Iniciamos com um e contratamos mais dois, desde 2017”, esclareceu, após ser indagada pelo parlamentar.

Edimar denunciou suposto favorecimento de pacientes em fila do Centro de Especialidades

Rafael Laranjeira (PSB) sugeriu centralizar a distribuição dos medicamentos em Arujá, como já ocorre em outros municípios. “O município poderia ter uma farmácia central, onde ficariam os profissionais concursados, e nas unidades a Prefeitura poderia terceirizar o serviço”, explicou. Carmem lembrou ter havido uma tentativa do ex-secretário Messias de implementar a ideia, mas ele desistiu devido à pressão dos usuários. “Quando informamos que as farmácias das unidades iriam fechar houve um grande movimento contrário, principalmente, por meio das redes sociais”.

Laranjeira ressaltou, no entanto, que, diferente da iniciativa de Covre, sua proposta manteria as farmácias das unidades em funcionamento assim como um sistema de entrega de medicamentos a domicílio para pacientes crônicos. Diante da contestação, a secretária afirmou que a terceirização de pode ser uma alternativa – pois não pressiona o limite determinado em lei para despesas com pessoal – porém, a última cotação feita para esse serviço, conforme explicou, ficou muito acima do orçamento disponível. “Estava fora de nossa realidade”, afirmou.

Ortopedia

Sabatina trouxe novamente a debate a falta de médicos na rede e problemas com o fornecimento de remédios

Questionada por Caroba sobre a fila de espera para consultas na área de ortopedia, Carmem admitiu o problema e disse que está em fase de negociação com a organização responsável pela gestão do Centro de Especialidades Médicas (CEM) para contratação de mais profissionais. Dessa forma, segundo ela pretende reduzir a demanda. O tempo de espera por uma consulta na área de ortopedia em Arujá chega a oito meses, informou o parlamentar. “A revista editada e distribuída pelo governo sobre os feitos da administração municipal dá a atender que a cidade ampliou o número de ortopedistas quando, na verdade, o CEM não conta com esses profissionais. Os dois que trabalham lá já são da rede municipal. Ou seja, houve apenas uma mudança de lugar. Foi uma questão logística”, apontou.

Carmem confirmou. “De fato, os profissionais que estão lá são os da rede e, devido a exigência de registro de ponto eletrônico, solicitaram a redução da jornada, obrigando, consequentemente, a diminuição do número de consultas”, disse a secretária ao explicar o crescimento da demanda reprimida. Apesar de estar em tratativas para resolver o problema, a secretária disse que “o serviço é de responsabilidade do Estado” e que, quando há vaga fora de Arujá, esta também é ofertada ao paciente.

Mau atendimento

O pastor Edimar do Rosário (PRB), o Pastor Edimar de Jesus, falou do histórico de mau atendimento na rede pública e pediu providências. Ele também denunciou possível favorecimento de pacientes no Centro de Especialidades. “Não tenho como provar. Mas soube de pessoas que foram beneficiadas e cortaram fila”, acusou o parlamentar. A secretária avaliou como “muito grave” a situação e, mesmo diante da afirmação do Pastor Edimar de Jesus sobre a falta de provas, disse que irá acionar a entidade gestora do serviço e apurar os fatos. “Como o senhor declarou isso de forma pública, não posso ignorar e vou acionar a organização. Isso não pode ocorrer”. Segundo Edimar, a situação acontece porque há pessoas dentro do CEM trabalhando com intenção de disputar as próximas eleições.

Sobre o mau atendimento, Carmem disse que a solução é “educação permanente” e que nem sempre a comunicação é fácil. “É um trabalho constante”, admitiu.

Também participaram da sabatina, os vereadores Abel Franco Larini (PL), o Abelzinho, Reynaldo Gregório Junior (PTB), o Reynaldinho, e a coordenadora do departamento financeiro da Secretaria, Lívia Pereira.

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